O Apartamento

Abril / 2009

Ana entrou as pressas em seu novo apartamento, havia comprado-o há dois dias. Os braços doíam de carregar as pesadas sacolas de supermercado, rapidamente guardou tudo e pegou o telefone, precisava fazer uma ligação, mas não adiantava, o telefone estava mudo.

Faminta, pegou um  pirex e fechou a geladeira com um dos pés. Uma brisa gélida a atingiu e a fez estremecer, fazendo com que o pirex se estilhaçasse no chão em mil pedacinhos. Com um xingamento, pegou uma vassoura e correu para fechar a janela. Fechada? Como?  Ana sacudiu novamente a cabeça, deve ser o cansaço!

Perdeu a fome, foi para a sala, talvez um pouco de televisão a fizesse acalmar os nervos, pegou o controle remoto. Com um susto pulou do sofá, da televisão ecoava uma risada sinistra altíssima e chuviscos apareciam como image, as mãos tremulas procuraram rapidamente o controle que parecia ter sumido do seu lado, com o coração na boca correu para trás da televisão para desligá-la, mas antes que pudesse tocar o fio de força, a televisão desligou sozinha. Com um estrondo, todas as luzes de seu apartamento se apagaram, sentia o coração bater forte no peito, correu para o sofá contraiu os músculos, agarrou-se à almofada, enfiou nela a cabeça, mordeu os lábios sufocando o grito mais profundo. Isso não poderia estar acontecendo! Pela janela de vidro entrava a luz forte da lua cheia, sentiu novamente um calafrio percorre-lhe o corpo, ousou levantar a cabeça da almofada, foi quando viu o correr rapidamente de um vulto por sua sala.

 -Quem está aí? -Perguntou ela com a voz trêmula. Com um susto, viu novamente o vulto atravessar correndo a sala. Virou-se para o lado e deu de cara com uma mulher de tez branca, cabelos longos pretos e a boca carnuda vermelha. Ana levantou-se com um pulo do sofá.

-Quem é você? Por que está na minha casa? -Bradou ela, ainda com a voz tremula.

-Sou Morgana Farie e está é minha casa! -Gritou a mulher. -Minha casa Apenas minha! -Com isso a mulher empurrou nanda no chão, fazendo-a perder os sentidos por alguns minutos.

Recobrada a consciência, ainda tremendo, nanda pegou o interfone do prédio e falou com o porteiro.

-Com licença, há alguma Morgana Farie no prédio?

-Oh, senhora Ana, não lhe contaram? Morgana faleceu há um ano atrás, era ela dona de seu apartamento.

Ana não conseguiu dizer mais nada, deixou o interfone cair no chão. Sua cabeça lateja, lambeu os lábios, sentindo um forte gosto de sangue, passou as mão nos cabelos e um punhado de cabelos negros surgiram na sua mão que agora estava tão branca quanto a lua que começava a desaparecer no céu, um pensamento tomou conta de sua cabeça, aquela era sua casa e de mais ninguém.

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